outubro 7, 2022

O que precisamos, Melhoria ou Inovação?

Atualmente, muito se fala em Inovação: são inúmeras palestras, cursos, livros, sites e chats. Todos partindo deste assunto trazem uma onda de propostas de soluções onde o lema do momento é “ser inovador” e esta onda, quase um tsunami já atingiu a Saúde.
Acontece que meio aos diálogos, as pessoas perdem o foco e se esquecem que a inovação, bem como a tecnologia, não são nem devem ser o fim e sim o meio. O ato de inovar é o meio para se conseguir trazer soluções ao que não foi resolvido anteriormente ou ao que possuía uma solução ajustada a determinado contexto, mas mediante a mudança de contexto se tornou obsoleta. A inovação pura, sem se preocupar com o custo ou prazo talvez seja permitida em projetos de pesquisa, pois os laboratórios são o berço da tão sonhada inovação disruptiva e já possuem um número muito grande de variáveis a serem acompanhadas. Em um ambiente real, o alto custo ou prazos não cumpridos podem acarretar perdas, desgastes ou mesmo a frustração por ver algo tão desenvolvido, próximo mas inacessível para muitos.


Não é meu objetivo criticar as propostas inovadoras, pelo contrário, acredito na inovação. No entanto, é importante que a preocupação não seja simplesmente a de parecer moderno porque está inovando. O importante é ter em mente alguns pilares: Pessoas, Processos e Tecnologia e entre os valores, Qualidade, Eficiência, Eficácia, Acesso e Competitividade. E ainda ter a visão de que a avaliação e até mesmo definição de cada um destes parâmetros passa pelo entendimento de quem deve avaliar e estar satisfeito: o cliente.

Acaba de ser divulgada, pela Newsweek, a lista dos melhores hospitais do mundo (https://www.newsweek.com/best-hospitals-2020), onde o Albert Einstein alcançou o patamar para representar o Brasil entre os 50 primeiros da lista. Outros 40 foram compõem a lista dos melhores do Brasil. Conforme descrito no próprio site, os rankings são baseados em recomendações de profissionais médicos, resultados de pesquisas com pacientes e indicadores-chave de desempenho médico. De acordo com os número publicados pela FBH, existem 4.267 hospitais privados no Brasil. Além destes, existem os hospitais públicos, que se contabilizarmos juntamente teremos algo próximo a 6000 hospitais em todo o Brasil. Sabendo da variabilidade existente, nem todos terão a oportunidade de um dia aparecer neste ranking e nem todos poderão implantar a curto prazo alta tecnologia e serem reconhecidos como os inovadores, precursores, transformadores da Saúde do Brasil. No entanto, é possível trazer melhorias e onde necessário, inovações em seus processos, serviços, inovações organizacionais e passar a adotar tecnologias que sejam viáveis ao estabelecimento. Isso tudo não os tornaria inovadores mas apontaria para sua preocupação e esforço rumo à Qualidade.

Diante disto, não há “fórmula mágica” nem “receita de bolo” que se aplique para toda e qualquer situação ou Instituição. Pode ser que uma inovação incremental ou apenas pequenas mudanças no processo façam mais sentido para algumas Instituições que a própria Inovação Disruptiva. O importante é perceber o impacto, o valor agregado e estar aberto para as mudanças necessárias mas também permitir o entendimento do contexto, o acesso aos conhecimentos de quem está na linha de frente e lida diariamente com os problemas e casos de sucesso. Que estejamos prontos à melhoria contínua e a inovar no que realmente trouxer mais valor e não apenas à “inovação pela inovação”.

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